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  • Carlos Igareda

Ritmo e Forma no Documentário

Apresentamos José Sampaio, que ministrará toda a parte de edição e montagem no Curso DocMakers. Sampaio é documentarista, montador e motion designer trabalha há mais de 20 anos no mercado audiovisual, com passagem pela TV Cultura, UOL, MTV e Portal IG. Dirigiu e foi montador dos documentários “No Reino de Gilvan Samico”, “Djanira: Pintora Descalça” e “Trombone Impossível”. Em parceria com Leonardo Brant co-dirigiu e roteirizou o documentário “Ódio” e em parceria com Leonardo Virno o documentário de curta-metragem “Caixa Quadrada - do Tubo ao Led”. Dirigiu e montou o curta-metragem “Homem Refuxo” premiado no festival Cinesquemanovo de Porto Alegre como filme revelação. Foi ainda co-diretor junto ao fotógrafo Fábio Knoll de uma série de seis documentários para a secretaria municipal de habitação de São Paulo para o projeto Making City onde documentaristas brasileiros e de outros seis países foram convidados a retratar as situações de habitação e moradia das cidades envolvidas. Dirigiu e montou ainda em parceria de Fábio Knoll o filme “Making City – Cabuçu” – Documentário realizado para 5th IABR 2012 em Roterdam. Atualmente finaliza a montagem do documentário longa metragem “De Peito Aberto” e da série para o Canal Brasil “Utopia Brasil” de Newton Cannito e co-direção de Leonardo Brant.


Em 2010 fundou o StudioIntro, produtora independente que desenvolve conteúdo para diversas plataformas e cliente como ESPN, Itaú Cultural, SESC , BASF, CPFL, KINOFORUM, entre outros.



Nesse bate-papo sobre montagem e documentário ele explora questões que serão aprofundadas no curso:


DocMakers: Como você enxerga o novo mercado de documentários independente no Brasil? O que mudou e para onde vai? José Sampaio: Acho que é um gênero que tende a crescer cada vez mais no Brasil assim como no resto do mundo. Acredito que a maioria das pesquisas e inovações de linguagem estejam ocorrendo a partir principalmente do documentário contemporâneo que já não se resume a boas entrevistas e bons planos no filme. Eu vejo uma nova safra de documentários brasileiros, principalmente a partir do doc “Prisioneiro da Grade de Ferro” do Paulo Sacramento, onde cada vez mais os diretores vem buscando novas narrativas para o documentário, seja colocando personagens reais como co-autores, como é o caso do filme citado, como também se colocando como personagem ou personagem oculto na própria obra, transformando o documentário brasileiro em um dos mais autorais do mundo.

DM: Qual a importância da montagem em um documentário?

JS: A montagem é a possibilidade que temos de criar novos significados a partir das imagens que foram gravadas, apenas pela sua justaposição, e é uma das habilidades mais importantes dentro do audiovisual e mesmo fora dele, nesta época de excessiva informação em que viemos. A montagem de documentário é muito diferente da montagem de ficção. A montagem no documentário lida muito com o imprevisto, muitas vezes nem mesmo o diretor tem noção exata do material que produziu e o tratamento final do roteiro acaba sendo na ilha de edição. A ideia de narrativa, a estruturação dos elementos capturados se dão, a grosso modo, na montagem. É preciso muito mais ouvido do que olho, muitas vezes, ao fechar os olhos você entende se o ritmo e as cenas de sua montagem estão funcionando ou não.

DM: Qual plataforma de edição você utiliza e quais você recomenda para os DocMakers?

JS: Há uns 3 anos migrei totalmente para a plataforma Adobe, além de montador, também sou usuário e estudioso de After Effects há muito tempo, portanto no meu caso preciso de uma plataforma que me ampare tanto quanto ao software de edição quanto o de motion graphics. E encontrei isso na integração do Premiere com o After, criando um workflow fluido e funcional para os meus trabalhos.

DM: Como será a sua aula no Curso DocMakers?

JS: A aula vai abranger um pouco do que falei nesta entrevista. Vamos estudar, a partir também de algumas exibições de documentários que tem na montagem seu ponto mais forte de linguagem, como construir narrativas a partir do material captado dentro do curso. Iremos também analisar os melhores workflows de trabalho a partir das necessidades de cada projeto, melhores softwares, encoders, e organização de trabalho. Acredito que seja uma oportunidade única de troca de informações e técnica para todos os participantes.


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