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  • Carlos Igareda

Desenvolvimento de Públicos


Conversamos com Piatã Stoklos Kignel, que ministrará a aula Desenvolvimento de Públicos. Com ele aprenderemos como identificar, mapear e mobilizar públicos para o seu filme. Piatã começou sua vida pisando no palco do teatro, mas quando resolveu organizar um festival ainda no colegial descobriu que sua paixão mesmo era em produzir, fazer acontecer e trazer ao público aquilo que lhe parecia de mais interessante e que contribuísse com a sociedade. Atuou desde então de forma independente, no terceiro setor, no governo, em projetos relacionados a organismos internacionais e no setor privado. Atualmente está mergulhado no universo digital, estudando formas de tornar sustentáveis economicamente iniciativas culturais e levá-las a um público cada vez maior, de maneira cada vez mais intensa.



Na entrevista abaixo ele nos conta como será a sua participação no curso:


DocMakers: O Método DocMakers se baseia na ideia de que é possível desenvolver públicos interessados em documentários e que podemos financiar e distribuir diretamente para esses públicos. Como você enxerga essa possibilidade no mercado de documentários independentes no Brasil?

Piatã Stoklos Kignel: Acredito que a realidade da relação entre produtor e consumidor de conteúdo está se modificando rapidamente. Com as novas ferramentas digitais e os novos comportamentos de uso dessas tecnologias torna-se possível identificar rapidamente possíveis interessados naquilo que você faz, dialogar com eles e descobrir, junto ao seu próprio público consumidor, sobre quais as melhores formas de manter a sua atividade economicamente viável. O Brasil é um país com um campo de consumo muito grande, e com uma atividade empreendedora gigantesca, que muitas vezes não enxergamos claramente devido ao controle de acesso com que a nossa cultura conviveu desde os tempos de colônia até hoje.


DM: Há uma distância muito grande entre documentaristas e criadores de maneira geral e seu público. Como diminuir essa distância e utilizar o público como co-partícipe do processo de criação e financiamento?


PSK: Há uma quebra de paradigma aí na forma de se relacionar. No cenário atual o público não deve ser “utilizado” mas deve ser visto como seu principal interlocutor. Aquele que está interessado naquilo que você faz é seu principal aliado. E nesse processo o produtor/documentarista/artista/criador deve pensar pra que “serve” aquilo que ele produz, o que interessa efetivamente ao seu público, e então abrir essa caixa de pandora e liberar as mil e uma oportunidades de relacionamento, produção e sustentabilidade que aí se encontrarão.


DM: Você acredita no desenvolvimento de uma carreira de documentarista independente, construída a partir da relação com o seu público? Quais os passos para construir essa carreira?


PSK: O documentário nos leva a pensar na questão da “verdade”. E acho que hoje, nesse mundo de avatares, fake news, redes sociais etc crescerá junto um desejo de saber da verdade. Independência é outra palavra curiosa. Nos leva também a pensar na diminuição dos intermediários, e portanto na aproximação novamente entre criador e consumidor, ou seja, há uma inter-dependência aí entre os dois. O consumidor quer aquilo que ele consome, e o criador quer dialogar, ouvir e apresentar ao consumidor aquilo que ele cria. Então o que vemos é um diálogo ocorrendo. Esta é a chave, o resto está no que será encontrado do outro lado da porta.


DM: Como manter o seu público ligado na sua produção? Quais as ferramentas mais eficazes de diálogo com o público?


PSK: O criador deve conhecer e estudar o seu público. Saber o que interessa a ele. Deve testar, experimentar, deixar que ele experimente, então observar, registrar. O criador deve ser um estudioso. Deve observar os resultados nas pessoas daquilo que produz. Se o criador quer algo em troca, ou seja, um público, um dinheiro, um pagamento, um reconhecimento, ele deve dar o primeiro passo, que é reconhecer o seu público. O público também quer ser visto. Poderia dizer que a ferramenta mais eficaz de diálogo é o “sair de si e olhar para o outro”. Com isso, as novas tecnologias, redes sociais e plataformas existentes, serão mecanismos a serem usados para isso acontecer.


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